Pesquisa estuda cirurgia inédita para tratar a diabetes
Quinze pesquisadores, coordenados pelo cirurgião Daoud Nasser, de Maringá, vão realizar uma cirurgia inédita com pacientes de diabete tipo 2, que estão com sobrepeso.
Diminuir a incidência de substâncias que inibem a produção de insulina e aumentar a produção daquelas que estimulam a presença do hormônio no organismo em pacientes de diabetes tipo 2 que estão com sobrepeso. Este é o desafio da equipe de 15 pesquisadores, entre profissionais e acadêmicos, envolvida no projeto "Estudo comparativo do By-pass duodenal em pacientes diabéticos tipo 2 não obesos", coordenado pelo cirurgião Daoud Nasser. Aprovada pelo departamento de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pelo comitê de ética da UEM e pelo Hospital Universitário de Maringá (HU), a pesquisa está em fase de seleção de pacientes. A primeira cirurgia deve ser realizada ainda este ano.
Nos últimos 20 anos, pesquisadores em diferentes países passaram a estudar a relação entre a cirurgia de redução do estômago (bariátrica) e a diminuição das taxas de glicemia em obesos mórbidos diabéticos submetidos ao procedimento. Em muitos, a queda era verificada ainda no hospital, durante o pós-operatório. "Há trabalhos que comprovam chegar a 90% o percentual de obesos mórbidos diabéticos operados, inclusive dependentes de insulina, que deixaram de tomar remédio e onseguiram manter a glicemia em níveis normais", diz Nasser.
Ficou claro para os pesquisadores que o mecanismo responsável pela diminuição das taxas de açúcar no sangue incluía a perda de peso, mas era mais complexo. O foco dos estudos voltou-se, então, à descoberta dos fatores que provocavam essa queda e chegou-se a alguns hormônios intestinais que são inibidos ou estimulados nas cirurgias bariátricas e que exercem influência sobre a produção de insulina. Sem querer, as técnicas de cirurgia de redução de estômago haviam acendido uma luz no túnel das possibilidades de tratamento de uma das doenças mais agressivas ao organismo e que, a cada cinco segundos, faz um novo doente no mundo, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF).
Em Maringá
Inédita no mundo, a pesquisa que será conduzida no HU vai tentar obter a mesma resposta em relação à queda das taxas de glicemia em pacientes não-obesos, com índice de massa corporal (IMC) entre 20 e 30 e que sejam ou não dependentes de insulina.
"Baseado nos conhecimentos da cirurgia de obesidade buscamos desenvolver uma técnica cirúrgica capaz de melhorar ou 'curar' o diabetes do paciente não-obeso, sem que ele emagreça ou emagreça muito pouco", explica Nasser. No estudo também serão avaliadas duas técnicas cirúrgicas para saber qual delas oferece menor risco ao paciente.
A pesquisa será desenvolvida em dois anos. Os recursos para custeio da cirurgia e materiais, além dos exames de dosagem dos hormônios intestinais e que serão transferidos para o HU foram captados pela Associação Leve Vida, antiga Associação dos Obesos de Maringá.
As primeiras cirurgias serão realizadas no grupo de pacientes que não faz uso de insulina. A partir dos resultados o procedimento será indicado no segundo grupo de pacientes. Entre os critérios de seleção dos candidatos estão a idade -entre 18 e 65 anos, ser diabético tipo 2 há, no máximo, 10 anos e tomar medicação para controlar a doença. A seleção ainda está sendo feita. Interessados em fazer parte do estudo devem entrar em contato com o Centro de Cirurgia da Obesidade, pelo telefone 3225-2121.
O que é a Diabetes do tipo 2
O diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior que no tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo.
Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidênia é maior apoós os 40 anos.
Uma de suas peculiaridades é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está ainda na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razões, suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sangüínea. Esta é uma anomalia chamada de "resistência insulínica".
O diabete tipo 2 é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que o tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes, vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.
Principais sintomas
Infecções freqüentes;
Alteração visual (visão embaçada);
Dificuldade na cicatrização de feridas;
Formigamento nos pés;
Furunculose.
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