quarta-feira, 18 de agosto de 2010
DIABETES
.......Diabetes é uma doença onde ocorre o aumento na quantidade de açúcar (glicose) no sangue.
.......É uma das doenças crônicas mais freqüentes, atingindo mais de 7% da população brasileira.
.......A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, tendo a função de transportar para dentro das células a glicose sanguínea proveniente dos alimentos. Esta glicose no interior das células serão convertidas em energia, sendo essenciais para a manutenção da vida.
.......A diabetes se desenvolve quando o corpo não fabrica insulina suficiente ou não pode usá-la apropriadamente. A conseqüencia disto é o aumento da glicose (açúcar) no sangue.
.......Com o tempo, os níveis altos de açúcar no sangue podem causar problemas sérios à saúde.
.......Classificamos o diabetes em dois tipos: diabetes tipo 1 (dependente de insulina) e diabetes tipo 2 (não dependente de insulina).
.......Nos diabéticos tipo 1 o que ocorre é uma destruição das células produtoras de insulina no pâncreas. Este tipo de diabetes é mais raro, representando aproximadamente 10% dos casos, sendo o acometimento com mais freqüência em jovens. Nestes casos, a falta da produção de insulina é que leva ao conseqüente aumento da glicose (açúcar) no sangue. Não se sabe até hoje o que provoca o diabetes tipo 1, porém sabe-se que esta doença nunca é diretamente herdada.
.......Nos diabéticos tipo 2 a insulina é produzida pelo pâncreas, porém são insuficientes, ou seja, a insulina nestes indivívuos não consegue transportar para dentro das células a glicose sanguínea proveniente dos alimentos. Não funcionando direito a insulina, teremos o conseqüente aumento da glicose no sangue. Atinge com mais freqüência os adultos e o fator familiar nestes casos é importante e há relação com a obesidade, embora a obesidade não leve, obrigatoriamente, ao diabetes. Este tipo de diabetes é muito comum (ler artigo sobre síndrome metabólica neste site).
.......Os pacientes diabéticos não tratados eliminam o excesso de açúcar pela urina, o que provoca vários sintomas, sendo mais comuns emagrecimento (mesmo sem regime alimentar), cansaço, micção freqüente e sede excessiva.
.......O tratamento do diabetes tipo 2 é feito através de dieta, exercícios e, se necessário, de comprimidos orais. Só eventualmente é incluido a administração de insulina. As complicações agudas, nessas pessoas, são raras, mas podem surgir complicações a médio prazo (durante a gravidez). No longo prazo são mais comuns problemas nos grandes vasos do coração, cérebro e extremidades dos membros, além dos pequenos vasos dos olhos, rins e pés e também nos nervos.
.......O diabetes tipo 1 tem menor incidência mas possue implicações mais sérias que o tipo 2. Estes diabéticos precisam de tomar injeções diárias de insulina para controlar a doença, que em geral se inicia na infância ou na adolescência, sendo necessário também atividade física e controle de dieta. Evolução rápida para um estado de coma poderá ocorrer devido a níveis de glicose muito altos (hiperglicemia) ou muito baixos (hipoglicemia). Esse tipo de diabetes pode provocar deficiência de crescimento e desenvolvimento do jovem, além das complicações de longo prazo que aparecem no diabete tipo 2.
.......As principais estratégias para o controle glicêmico (glicose no sangue) envolvem a educação em diabetes, motivação pessoal, disciplina, força de vontade, controle domiciliar da glicemia, apoio social e familiar e equilíbrio emocional. Tudo isso, combinado com medicação adequada, dieta e exercícios.
.......O tipo de medicação, bem como a sua dose, é definido em função da dieta e do nível de atividade físicas. É muito importante, porém, que o diabético entenda os mecanismos da doença, assim como as condições que causam o aumento ou a diminuição brusca da glicemia. Ele deve seguir as orientações dietéticas sobre o que comer e a quantidade a ser ingerida e, se possível, ter conhecimentos ainda mais específicos, como os perfis de ação terapêutica das várias insulinas.
.......Atividade física regular aumenta a ação da insulina e diminue a quantidade de açúcar no sangue. Qualquer atividade física deve ser considerada um exercício, embora as atividades regulares sejam muito melhores para controlar o açúcar do sangue.
.......Pacientes diabéticos devem evitar a ingestão de açúcares de ação rápida como doces, balas, geléias, frutas e seus sucos. Estes açúcares de ação rápida produzem altos níveis de glicose no sangue.
.......Os alimentos com açúcares de ação lenta como batatas, vegetais e arroz, são mais seguros para os diabéticos porque seu açúcar se transforma em glicose de uma maneira mais vagarosa.
.......Algumas regras de dieta como comer de 4 a 6 pequenas refeições ou lanches por dia, manter horários rígidos para as refeições (não pular refeições), não comer além das quantidades recomendadas pelo seu médico, comer pães com fibras, integrais e evitar o pão branco, comer verduras e legumes todos os dias e evitar gorduras saturadas, açúcares e álcool, devem ser lembradas.
.......O controle domiciliar do diabetes é um dos resultados do avanço da tecnologia para o tratamento da doença. Há aparelhos eletrônicos portáteis, que permitem a medição dos níveis de glicose no sangue. O teste pode ser feito pelo próprio indivíduo, com apenas uma gota de sangue. O resultado é mostrado em alguns segundos.
.......Existem aproximadamente 5 milhões de brasileiros com diabetes e aproximadamente metade destas pessoas não sabem que têm a doença.
.......Um bom controle da glicose no sangue retardará ou prevenirá as complicações tardias do diabetes.
.......As complicações podem levar muitos anos para aparecer e nem todas as pessoas as apresentarão, porém o mais grave é que não podemos prever quem ou quando as terá. Este é o grande desafio pois é preciso diagnosticar e posteriormente conscientizar os portadores de diabetes da importância de seu tratamento.
Pesquisa estuda cirurgia inédita para tratar a diabetes
Quinze pesquisadores, coordenados pelo cirurgião Daoud Nasser, de Maringá, vão realizar uma cirurgia inédita com pacientes de diabete tipo 2, que estão com sobrepeso.
Diminuir a incidência de substâncias que inibem a produção de insulina e aumentar a produção daquelas que estimulam a presença do hormônio no organismo em pacientes de diabetes tipo 2 que estão com sobrepeso. Este é o desafio da equipe de 15 pesquisadores, entre profissionais e acadêmicos, envolvida no projeto "Estudo comparativo do By-pass duodenal em pacientes diabéticos tipo 2 não obesos", coordenado pelo cirurgião Daoud Nasser. Aprovada pelo departamento de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pelo comitê de ética da UEM e pelo Hospital Universitário de Maringá (HU), a pesquisa está em fase de seleção de pacientes. A primeira cirurgia deve ser realizada ainda este ano.
Nos últimos 20 anos, pesquisadores em diferentes países passaram a estudar a relação entre a cirurgia de redução do estômago (bariátrica) e a diminuição das taxas de glicemia em obesos mórbidos diabéticos submetidos ao procedimento. Em muitos, a queda era verificada ainda no hospital, durante o pós-operatório. "Há trabalhos que comprovam chegar a 90% o percentual de obesos mórbidos diabéticos operados, inclusive dependentes de insulina, que deixaram de tomar remédio e onseguiram manter a glicemia em níveis normais", diz Nasser.
Ficou claro para os pesquisadores que o mecanismo responsável pela diminuição das taxas de açúcar no sangue incluía a perda de peso, mas era mais complexo. O foco dos estudos voltou-se, então, à descoberta dos fatores que provocavam essa queda e chegou-se a alguns hormônios intestinais que são inibidos ou estimulados nas cirurgias bariátricas e que exercem influência sobre a produção de insulina. Sem querer, as técnicas de cirurgia de redução de estômago haviam acendido uma luz no túnel das possibilidades de tratamento de uma das doenças mais agressivas ao organismo e que, a cada cinco segundos, faz um novo doente no mundo, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF).
Em Maringá
Inédita no mundo, a pesquisa que será conduzida no HU vai tentar obter a mesma resposta em relação à queda das taxas de glicemia em pacientes não-obesos, com índice de massa corporal (IMC) entre 20 e 30 e que sejam ou não dependentes de insulina.
"Baseado nos conhecimentos da cirurgia de obesidade buscamos desenvolver uma técnica cirúrgica capaz de melhorar ou 'curar' o diabetes do paciente não-obeso, sem que ele emagreça ou emagreça muito pouco", explica Nasser. No estudo também serão avaliadas duas técnicas cirúrgicas para saber qual delas oferece menor risco ao paciente.
A pesquisa será desenvolvida em dois anos. Os recursos para custeio da cirurgia e materiais, além dos exames de dosagem dos hormônios intestinais e que serão transferidos para o HU foram captados pela Associação Leve Vida, antiga Associação dos Obesos de Maringá.
As primeiras cirurgias serão realizadas no grupo de pacientes que não faz uso de insulina. A partir dos resultados o procedimento será indicado no segundo grupo de pacientes. Entre os critérios de seleção dos candidatos estão a idade -entre 18 e 65 anos, ser diabético tipo 2 há, no máximo, 10 anos e tomar medicação para controlar a doença. A seleção ainda está sendo feita. Interessados em fazer parte do estudo devem entrar em contato com o Centro de Cirurgia da Obesidade, pelo telefone 3225-2121.
O que é a Diabetes do tipo 2
O diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior que no tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo.
Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidênia é maior apoós os 40 anos.
Uma de suas peculiaridades é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está ainda na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razões, suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sangüínea. Esta é uma anomalia chamada de "resistência insulínica".
O diabete tipo 2 é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que o tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes, vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.
Principais sintomas
Infecções freqüentes;
Alteração visual (visão embaçada);
Dificuldade na cicatrização de feridas;
Formigamento nos pés;
Furunculose.
O distúrbio envolve o metabolismo da glicose, das proteínas e das gorduras e tem graves conseqüências tanto quando surge rapidamente como quando se instala lentamente.
Atualmente, se constitui em um problema de saúde pública, devido ao grande número de pessoas que apresentam essa doença, principalmente no Brasil.
Alguns fatores de risco acabam influenciando para o aparecimento do Diabetes, tais como:
Idade maior ou igual a 45 anos
História familiar (pais, filhos, irmãos)
Sedentarismo
Hipertensão arterial
Doença coronariana
HDL-c baixo ou triglicerídeos elevados
DM gestacional prévio
Filhos com peso maior do que 4 kg, abortos de repetição ou morte de filhos nos primeiros dias de vida
Uso de medicamentos que aumentam a glicose (cortisonas, diuréticos tiazídicos e beta-bloqueadores).
Pacientes que já tem um histórico familiar devem manter os seguintes cuidados a fim de prevenir a doença:
Manter o peso normal
Não fumar
Praticar atividade física regular
Controlar a pressão arterial
Evitar medicamentos que potencialmente possam agredir o pâncreas (cortisona, diuréticos tiazídicos).